quarta-feira, 29 de dezembro de 2010

Poeira de lua


Foto:Carlos Cascalheira "O maltês"


Os olhos ardiam-lhe
das horas passadas
a fixar a lua
o corpo cansou-se
de tanto esperar
numa sede de amor
secou-lhe a boca
perdera o gosto

Imaginou noites
em que tudo
foi diferente
noites em que os olhares
se tocaram
em que os sorrisos
se rasgaram
e iluminaram
a madrugada sombria

Dessa lua
colheu poeiras de sonhos
lentamente espalhou-as
para voarem livres
até as mãos
de quem for capaz
de as voltar a moldar
na forma inicial

Nessa lua
vive um rosto
no corpo que a observa
a saudade de uma boca
perdida nos dedos
do tempo

domingo, 19 de dezembro de 2010

Preso no silêncio


Mistérios seguros
escondidos nas linhas
de uma retina
retida pela luz

Brilho supérfluo
de uma imagem
em espirais iguais
com contorno de pele
pedra preciosa
de um corpo
o centro de tudo

Mensagens gravadas
nos pergaminhos temporais
de uma alma segura
pupila dilatada
num anoitecer fragmentado
pelos cristais da noite

Traços de vida
nos limites segmentados
de um olhar
preso no silêncio

Silêncio da alma
segredo do mundo

terça-feira, 14 de dezembro de 2010

Tentação


Foto:Carlos Cascalheira "O maltês"


Tentação

Na penumbra da noite
uma lua envolta de liberdade
olhar de fogo
incendiou o céu

Uma musa desprotegida
soltou o seu último suspiro
na floresta das cores sentidas
enquanto colheu
a maça temida e proibida

Misto de tentação
perigo apetecido
morte certa ou descoberta?

De papilas gustativas adormecidas
deu a primeira trinca
de sentidos estremecidos
a tentação invadiu-lhe o corpo
do fogo de um olhar
deslizaram as mais puras
lágrimas de vida
o coração bateu pela primeira vez
a boca degustou
o doce sabor
do despertar da vida

No simples trincar
a lua de fogo soltou-se
da tentação do próprio ser

Ainda hoje
percorre as noites
a procura de novas sensações

sexta-feira, 10 de dezembro de 2010

Sombra na planície


Foto:Carlos Cascalheira "O maltês"


O céu que ficou nos olhos
de um olhar tremido
um limite de linhas irreais
nuvens cor de fogo
num arame farpado de vida

Imagem distante, inconstante
memória sensitiva
deturpada pelas cores
pôr-do-sol enriquecido
na sombra
de um corpo rendido

Enigmas na boca
corpo de mel
raiz de musa
corpo de encanto
preso na margem
de um olhar de fogo
com sombra na planície
sedenta de alvorada

sexta-feira, 3 de dezembro de 2010

Mãos de Criador


Foto:Carlos Cascalheira "O maltês"


Mãos de barro que escondem
o trabalho de uma vida
moldam, testam sensações
de uma perfeição inata
no mais simples toque de dedos
a forma ganha vida
ondas de sentir
Envolvidas em cada movimento
de construção e definição
do mais simples gesto
se cria a arte
aos olhos de quem o sente
como seu fruto,seu filho

Mãos que encarnam
a força da criação de um Deus
no poder do momento
se rega o mundo
de obras perfeitas
de autores incógnitos
na busca de uma perfeição esquecida
aos olhos do mundo

segunda-feira, 29 de novembro de 2010

A cidade dos sonhos perdidos


Caminhou rua a rua
até que a força lhe falhasse
seca de lágrimas
consumida pelo frio
caminhou sem destino
a procura do incerto

De tantas voltas dadas
perdeu-se em ruas desiguais
de casas burguesas
em olhares estranhos
fez o conforto
do desconforto

Nas primeiras neves
de um inverno esquecido
enterrou sonhos, sorrisos
esmigalhou os pés
até lhe gelarem as entranhas

Seguiu caminho
por um vale desprotegido
em que um rio tímido
gemia ao ser fragmentado
por uma represa
que lhe tirava a liberdade

Nessa cidade
ficaram os seus passos
gravados em cada ruela
os seus cabelos
fragmentados pelo vento
espalhados no incerto

A certeza de não voltar
ficou escrita na despedida
esquecera os sonhos
à medida que foi perdendo
a luta contra o tempo

terça-feira, 23 de novembro de 2010

As linhas das sombras

Foto:Carlos Cascalheira "O maltês"

De linhas de sombras
fez um caminho incerto
entre ruas e ruelas
deixou rastos
de uma vida por viver

Invísivel ao mundo
deslizou de alma sem corpo
corpo roubado
olhar tremido
sorriso esquecido

Ainda hoje ao anoitecer
se ouvem suspiros
que se confundem
com brisa nocturna
suspiros de uma sombra
de cores rompidas
pelos dedos de vidas passadas

Existe sem corpo certo
no vulto de todo
o amor despigmentado
entre as linhas de sombras
que procuram as suas cores
as cores do amor

quarta-feira, 17 de novembro de 2010

Intensamente

Intensamente tocar
numa alma
esquecida pelo tempo
orquídea selvagem
olhar de fogo
mulher ardente
relâmpago em alto mar
indomável no ser
incomparável no sentir
das mil e uma noites
renascida
flor de amor
veneno em boca
doce tentação
breve e longínqua ilusão
de um coração preso
que ama sem razão
cega de amor
amor
com sabor
o teu sabor


sábado, 13 de novembro de 2010

Ponto (in) finito

Num ontem
de um tempo apressado
no limite da entrega
dois pontos se cruzaram
da base de sentimentos
frescos, leves
nasceu uma linha única
irregular, curva
que deslizou evitando
obstáculos imprevistos
lentamente deixou rasto
de poeira de sonho

A distância percorrida
foi aumentando
a linha foi enfraquecendo
as bases desaparecendo
apenas um dos pontos
se manteve imóvel
apenas um dos dois
acreditava, existia

De dois pontos
nasceu tudo
sem o preverem
num ponto (in) finito
perdeu-se tudo
sem o travarem

Na linha desse sentir
o querer insiste
o querer persiste
no ponto do limite
da uma boca
no reencontrar sem limite
do céu
de dois olhares


quarta-feira, 10 de novembro de 2010

Sorriso usado

O vento revolto
gemeu a volta das árvores
destemido
rasgou folhas
arrancou raízes
levou o resto
de uma primavera florida

Correu numa calçada
assombrada pela noite
a chuva afogava a terra
que gritava de sufoco
em mágoa
ali ficou
alheia a tudo
num mundo de tristes
fez o seu esquecimento
no desprezo
de respostas negadas
no deixar de ser
sem sequer ter sido
capaz de amar

Triste ser
coração de pedra
olhar vazio
sorriso usado
e esquecido

sábado, 6 de novembro de 2010

Palavras que tocam

Num tremer de dedos
descontrolado e constante
entre lágrimas e suspiros
escreveu palavra a palavra
o que no coração guardava

Longe estava o tempo
em que sonhava
com o amor
escolheu viver
viver de amor
saboreando cada momento
mesmo que por vezes
o amargo lhe fica-se
travado na boca
no intervalo de um beijo

Um beijo de vida
de suave carinho
num leve tocar
nas ondas de um corpo
tímido, despido
no sentir de silêncios
compassadamente mágicos

Amou
entre cada pausa
de dois olhares
desenhou na pele
símbolos eternos
da entrega
de duas almas
com tempo

Sentiu amor
em cada despertar
em cada adormecer
por simplesmente
amar
num mar de amor
com limite
na linha de uma boca
de sal
o tempero
da vida

segunda-feira, 1 de novembro de 2010

Despertar sentido

Sentidos adormecidos
calcificados
mumificados
pelos rios de lágrimas
de dúvidas sentidas
no rosto de um ser
que nasceu do viver

Gravou palavras
queimou noites
soltou gemidos
nunca ouvidos
pouco entendidos
nas entrelinhas ficou
o que não quis mostrar
fechou-se em copas
numa caixa
feita papel rasgado
de desamor
perdido no tempo

De sentidos adormecidos
caminhou suavemente
abriu os olhos
numa madrugada
em que o sol queimou os céus
aquecendo-lhe o corpo
sentiu-se renascer
num calor
que lhe percorreu a pele

Sentiu vida
dentro de um coração
que sempre bateu
em silêncio

Bate coração
desperta-me os sentidos
leva-me
prende-me
nesta liberdade
que se tatuou
em tinta de dedos
num toque
apenas teu
e meu


quarta-feira, 27 de outubro de 2010

Soltou-se o tempo


Fecharam-se
os olhos
da noite
num escurecer
sem fim

Num segundo
soltara-se
o tempo
e as lágrimas
que decoravam
as cortinas de pele
da alma
voaram
para além do horizonte
sem rasto
sem cheiro
nem luz

Tempo
sem tempo
de momentos
sem gosto
nem rosto

Em que (me)soltei
para (te)encontrar
na teia
do meu tempo
o nosso tempo

sexta-feira, 15 de outubro de 2010

Envolver

Num sentir
de sentidos contidos
num ferver de corpos
e almas enlaçadas
fusionadas
descobriam
encobriam uma sede
um desejo de um beijo
gravado
entranhado
no nu de dois corpos
tatuado,gravado
num pergaminho
de pele de seda
beberam de um elixir
de amor ardente
a sede ficou
sede de ter
de se queimarem
de amor



quarta-feira, 13 de outubro de 2010

Sem sentido



Caminhava
por ruas incertas
a confusão
turvava-lhe a mente
deturpava-lhe os sentidos
afiava-lhe o gosto
de amargo desgosto
de corpo cansado
desgastado
como as letras
de uma música
esquecida
abriu e fechou os olhos
vezes sem conta
mas pouco viu
uma imagem gasta
espelhava bem a sua frente
de corpo nu
alma perdida
sorriso retido

um dia
talvez um dia
a vida sem sentido
voltasse a ter
um gosto sentido

sexta-feira, 8 de outubro de 2010

(Im)perfeição

Navegou num mar
com a foz numa boca
de mel
afogou-se num corpo
de pele de seda
num suave
suave amar

perdeu-se
num ser
que lhe despertou
o instinto
o sabor
do amor
adormecido
mas nunca esquecido

perder-se-ia vezes
sem conta
num tempo
de compassos musicais
num adormecer
e eterno acordar
no perfeito sorriso
de um terno olhar

o (teu) olhar

domingo, 3 de outubro de 2010

Sentimento (in)certo

Fechou os olhos
Abriu a alma

"desperta amor
voa amor
ilumina-me
enfraquece-me
faz-me respirar
sentir viva
regar as minhas palavras
da tua fonte"

amor
amor
estranho amor
que mal se estranha
se entranha
como uma semente
em terra fértil
sentimento (e)terno
amor (ln)certo
mas certamente
amor


terça-feira, 14 de setembro de 2010

Amor és...

Seguia por caminhos desiguais
no espaço e no tempo
numa busca incansável de sensações
procurava o amor
escondido nos olhares
tímidos do mundo

O amor que acabou por descobrir
guardou-o nunca o partilhou
procura o momento certo
para o soltar
aos quatro ventos

Amor amor
serás sempre a base
para as palavras
os sonhos

O segredo da vida
revela-se no saber amar
com sentidos
sem sentidos
sem tempos
nem contratempos
nem pontos

Nasce na primeira pessoa
murmura-se em vogais desiguais
a igualdade de ser

Ser simplesmente amor


terça-feira, 7 de setembro de 2010

Sede de ser

Estranho querer sem ter
que envolve
um corpo de calor esquecido
uma miragem distante

sede de ti
amor
sede de te ter
de te absorver
como uma fonte
que jorra
das pedras virgens
de uma floresta selvagem

sede de ti amor
de continuar a te querer
quando de mim
te esqueces
quando de ti
me lembro

sede de te querer
sem te ter
sede de amor
sede de ser


segunda-feira, 6 de setembro de 2010

Perder-se por amor

Perder-se-ia
vezes sem conta
nos seus sonhos
de amor
amor
estranho amor por "algo"

Segui-lo-ia até
aos confins do mundo
navegaria por mares
nunca navegados
ao sabor do doce
de uma pele de seda

Toque nunca sentido
mas tão esperado
que se confunde com o real

Irreal perder
num amor esquecido
uma sede de ter
sem nunca o ter bebido

Perdida assim
num amor sem fim
pelas coisas
pelo mundo
num amanhecer
de palavras soltas ao vento
que a perde
num sonho
de nuvens e luzes
abrindo novos caminhos

sonho ou ilusão?

Apenas uma doce sensação
...


quarta-feira, 1 de setembro de 2010

Páginas rasgadas

Páginas escritas
a tinta de lágrima salgada
foram uma a uma
dando forma
a um livro de desassossego
palavras que surgiram
de um abstracto
torpedo de emoções
confuso mas transparente
amava sem amor
odiava com amor
até que a fonte secou
e as folhas se rasgaram
em formas disformes
nada do que foi escrito
sobreviveu
mas tudo o que sentiu
ficou marcada em cada ruga
de um corpo cansado

Desistiu
não por fraqueza
mas por desilusão
triste ilusão
numa realidade
seca e estagnada

O livro fechou-se
e desta história
nunca se saberá o fim
porque foi apenas sentida
sem sentido


domingo, 15 de agosto de 2010

A simplicidade das palavras


As palavras eram a sua libertação
usava-as como um banho relaxante
a todo o momento
a toda a hora
vivia com a caneta
e um papel qualquer
guardados na mala
e de rascunhos
foi criando textos
secos, amargos e até felizes
eram nada mais, nada menos
que palavras pouco pensadas
mas instintivamente
transcritas em prosa
sentimentos em palavras
ou palavras com sentimentos
uma fonte inesgotável de ideias
corridas a tinta
de poeta tinha pouco
de selvagem muito
a fúria das palavras viera para ficar
e nem o pôr do sol
nas linhas douradas
das margens do Douro
foi capaz de a acalmar

"A menina abriu a porta
a um mundo de ilusão
acreditou no que viu
no que sentiu
a porta fechou-se
sem nada ficou
o corpo secou
o círculo envolveu-a
prendendo-a na teia
da tristeza"

Perdera os sonhos
até a vida
lhe parecera mais curta
mas era apenas o princípio
o certo era
que o pôr do sol acontecia
repetidamente
voltando a cada amanhecer
assim como as suas palavras
jorravam de uma fonte
como lágrimas
em águas de mar
dissolvendo-as
até ao mais básico dos elementos
na simplicidade das palavras

sábado, 7 de agosto de 2010

Espelho de água


"Espelho da alma
espelho meu
existe alguém mais opaco que eu?"
Caminhava com os pés na água
águas turvas
os remoinhos avistavam-se
mas afastavam-se com timidez
o perto fez-se mais longe
invertendo os ponteiros do tempo
num silêncio eterno
caminhava sem destino
arrastando as mágoas pela areia
ouvia vozes
eram os gritos das ondas
esmagadas nos rochedos

sem nada saber seguiu
onde parou?
talvez nunca tenha parado
afinal o mar não secou
nem as ondas deixaram de gritar
em cada despertar



sábado, 31 de julho de 2010

61 dias

Dias que se confundem com noites
noites amargas
secas
nuas
vive num corpo despido
de amor
num inferno de troca de palavras
cuspidas e sujas

sem rumo

61 dias
sem serem dias
numa bússola encravada nas lágrimas
de uma história queimada
e inacabada


killing me slowly

you are always
in my mind everyday
in every hour,
because I love you
but I now that you hate me
and it's killing me slowly

quinta-feira, 29 de julho de 2010

A corda que tremia


Em dias cinzentos
regados com chuva
abafando as manhãs de verão
lentamente despertava
de mais uma noite
ou seria dia?
contava os dias
em números ímpares
numa vida fora dos limites

dava passos numa corda tremida
cada passo era incerto
existindo sempre a possibilidade
de não apoiar o pé
no sitio correcto
e o colocar no errado
seria sinónimo
do fim da caminhada

medo?
talvez

persistência?
alguma

mas não seria a vida de todos igual?
viver numa corda que treme
ao som das emoções

pensava ser controlada pelo destino
mas finalmente
toda a corda já percorrida
tem a marca dos seus pés
por isso cada passo
é apenas dela

mas o que fazia tanto tremer a corda?
mistério

tremia
mas ela não temia
e assim continuou
e continua
até...
onde os seus pés a levarem

poderia ter asas para voar
e a caminhada seria mais fácil
mas o que aprendeu
e aprende
a testar o seu equilíbrio
faz com que o que treme
aos olhos dos outros
seja estável ao olhos dela

quarta-feira, 28 de julho de 2010

o que é meu e teu


A tua boca soube-me a mel
o teu corpo soube-me a doce
sabores únicos
de amor
amor
amor

pudesse o céu se abrir
hoje
agora
e me levar de volta
ao que foi nosso
meu e teu
ao que ficou suspenso
nas teias do tempo
e me afoga
em areias movediças

dá-me a mão
não me ouves?
ouves sim
nem deixarás de ouvir
até que as forças me falhem
até que o meu corpo
acabe de secar

serei tua
unicamente tua
assim como este sorriso
que é meu
e teu

terça-feira, 27 de julho de 2010

Muito mais que...


"Hoje"
uma palavra tão simples
resistente ao tempo
o maior sinal de vida
o único que importa
neste "hoje" se encontram
todas as cores dos sonhos
as sombras dos pesadelos

os tempos mudam
o homem adapta-se
alguns sentimentos alteram-se
outros ficam entranhados
e guardados a sete chaves
vão vêm nas ondas do mar do tempo
sem nunca se perderem
nesse azul infinito

Muito mais que...
simples pegadas na areia
levadas pelo vento

cada palavra de amor
vive
mesmo que o alimento lhe falte
até que as reservas
de outros tempos lhe falhem

Vive e fica
porque ela existe

será suficiente?

sexta-feira, 23 de julho de 2010

Podre amor



Trazia na boca
o sabor a arsénico
nas veias o sangue
que circulava era quente
como o de um ser
queimado vivo
tinham-lhe atirado
tanta terra a boca
que já se sentia
mais morta que viva
a vida corria
e escorria-lhe
entre os dedos

e depois?

amor amor
podre amor

segunda-feira, 19 de julho de 2010

Doce "amarga" noite


Entre passos e tropeço
deslizava no meio da multidão
como uma lebre selvagem

Do outro lado
as luzes brilhavam
num douro
que separava duas margens
de uma cidade
quase esquecida

O coração batia forte ao som
dos ruídos da festividade
sorrisos, gargalhadas
entre copos e desabafos

Sentia a presença
de uma alma perdida
de coração rasgado
em orgulho
uma presença que lhe roubou o ar
que vinha da foz
de madrugada

Estava ali
ao alcance de um dedo
mas mais longe do que nunca
do silêncio fez
a sua estrada de partida
e seguiu caminho
sem olhar para trás

Ficou com o sabor amargo
da companhia de uma noite
regada com umas gotas de água
não era para ser assim
mas foi

Não se pode escrever uma historia
quando as palavras
se perderam
um dia
talvez tenha um fim
hoje não

sábado, 10 de julho de 2010

Como o vento...


Sentia-se como o vento
que acariciava os corpos
mas invisível aos olhos
ao único olhar
que lhe dava existência
como o vento
atravessava fronteiras
e fazia-se sentir
na brisa da manhã
num corpo vazio de sentidos
mas com marcas
de um amor perdido
feitas pelas unhas do destino

numa alma perdida no tempo

sexta-feira, 9 de julho de 2010

Desabafos do homem


Rodava o copo
todas as noites
a mesma hora
com o mesmo
ritual de sempre
queimava os cigarros
até ao filtro
sem se aperceber que as cinzas
lhe caiam pelos dedos
e se espalhavam pela mesa
ao acaso
não levou muito tempo
até que que o seu espírito
se liberta-se do seu corpo
numa espécie de transe
e alucinação
os neurónios em plena sinapse
completaram o seu estado
num delírio
mais-que-perfeito de palavras
regadas a álcool
textos sem sentido aparente
germinaram nesse instante

desabafos do homem
desabafos do copo

quinta-feira, 8 de julho de 2010

Lentamente


Existem dias assim
em que o mais perto
fica mais longe
em que as horas
são intermináveis
e o tempo teima
em não passar
mas passa na mesma
e os segundos voam
sem ela se aperceber
que tudo volta lentamente
ao seu devido lugar

Os sorrisos
ficarão para depois
para o momento
em que as linhas do destino
se voltarão a cruzar no tempo
e do bater ritmado dos corações
uma balada de vida eterna
tímida e e singela
ficará no ar

quarta-feira, 7 de julho de 2010

Das cinzas renasce o fogo


Queimou os dias
com a acidez das lágrimas
que foram escorrendo pela sua face
foi perdendo a força
a alegria de viver

Questionava o mundo e as coisas
sem nunca ter respostas
até hoje
foi juntando as cinzas
numa caixa de tempo
quando se apercebeu
da caixa vinha uma luz
bela e quente
aproximou-se mais
até que a caixa se abriu
as cinzas tinham se transformado
e ardiam com uma chama
que apesar de quente
ela não teve receio de tocar
das cinzas tinha vindo
para as cinzas voltou sem medo
no momento em que lhe tocou
o tempo inverteu-se
o tempo que se esgotava
estava a crescer novamente

Lembrava-se do tempo
o tempo que tanto ele lhe falava
fechou os olhos
e teve a certeza
que o tempo que lhe fora roubado
nunca se perdeu
esteve sempre com ela

Renasceu o fogo e ardeu
a partir desse momento
o tempo era só dela
a chama está bem viva
nunca morreu
as cinzas nunca foram cinzas
eram lágrimas de vida

A chama irá arder
o tempo que for preciso
até o dito voltar a ser escrito
e a mentira voltar
a ser uma verdade
incontestável...

terça-feira, 6 de julho de 2010

Fogueira de orgulho e desprezo


Ao cair da noite
a escuridão invadiu-lhe a alma
o sangue que percorria o seu corpo
fervilhava numa taquicardia interminável

As lágrimas que tinham secado por uns dias
voltaram a escorrer pelos seus olhos
como se de uma fonte maldita se tratasse

Imagens, palavras,
desfilavam pela sua mente
a velocidade da luz
mas por muito
que que as tentasse parar
foi impossível
não passavam de recordações
que em noites de amargura
lhe atormentavam o corpo
com sensações de que o ar
que tinha a sua volta
não era suficiente para respirar
que o coração estava (está) tão esmagado
que não voltará ao seu molde inicial

Dor, amargura, tristeza
nessa noite a vida resumia-se a isso
apanhar pedaços de uma vida
estilhaçada por uma única e só pessoa
mas até que ponto
ela iria aguentar?

Ontem o mundo parecia acabar
mas hoje continua viva
mas oca por dentro
como um livro em que arrancaram
todas as folhas
uma a uma
lentamente
e as queimaram
numa fogueira de orgulho e desprezo
em que nem as cinzas
de um amor ficaram

segunda-feira, 5 de julho de 2010

Perto do dia do fim


Observo dentro de mim a mágoa contida,
A revolta do engano,
A tristeza de ser usada e magoada,
Não existe mal que o tempo não cure,
Mas a mágoa entranhada no coração,
Nem o tempo a leva,
Sofri por amar, para me libertar,
Perdida fiquei no meu próprio tormento,
Na escuridão me senti,
Mas dentro de mim,
Por muito que a dor me cegasse,
Voltei a me encontrar,
Perdi-me por amar as coisas e as pessoas,
Agora descobri como as continuar a amar,
Mas de uma outra forma,
Viver sem amar é como um mar sem água,
Fracos não são os que amam,
Mas sim os que não sabem receber esse amor,
E viver é para os corajosos,
E eu voltei a aceitar o desafio,
Voltar a amar, amar-te a ti...
E enganei-me...
Mais uma vez...

in http://viverdeamorci.blogspot.com/

domingo, 4 de julho de 2010

O tempo...


Foi tão simples te amar
adormecer com o teu cheiro,
o teu calor
acordar a sorrir
acreditava que era ao teu lado que iria estar ...

Em ti nasceu
um amor único de uma vida
o tempo passou depressa demais

nos teus braços
e ficou lento quando voltei
para este meu canto
de sonhos perdidos

Ontem mais que hoje deixei
o meu coração colado ao teu
porque não se separava nunca de ti
o tempo passou
e o nosso amor morreu na primavera
com os nossos sorrisos

Deixei-te gravado
no olhar e no ouvido
que te amava com todos

os meus sentidos


Ainda o ouves?
Ou finges não ouvir?



Viver no passado ou no presente?ou no futuro?

quarta-feira, 30 de junho de 2010

Triste cobardia



É triste a cobardia
que se esconde por trás do silêncio
é triste ser-se pobre em espírito
para não se assumir os seus actos
e não ter coragem
de assumir os erros
que podem mudar
a vida dos que nos amam
é triste
o vazio
que nos consome
sem razão aparente
mas com explicação
escondida e dissimulada

Cobarde é o fraco
que não é capaz de dar
a cara e se esconde
em falsos sorrisos
falsas palavras
enquanto que a verdade
mais pura e crua
o queima como ácido corrosivo
que um dia
lhe sairá pelos
olhos de tanto despreso
e amargura...

terça-feira, 29 de junho de 2010

Corre Destino...



Num dia
em que os raios de sol
lhe entravam pela janela
decidiu caminhar pela vida
percorreu a margem
de um lago que sempre
lhe fora comum
mas do qual
se afastara por uns meses
porque trazia a água salgada
nos seus olhos
a cada anoitecer
ao seu ninho de pesadelos

Entre passos
observava as decorações
espalhadas pela margem
mas uma delas
despertou-lhe mais atenção
a água corria numa roda viva
movida pela sua própria força

"Corre água porque do lago vens e para o lago voltarás"

Por muitas voltas que o destino
a faça dar
ao contrário do que pensava
o destino é como a água
e segue sempre
o seu rumo natural
hoje está fora do seu "mar"
mas com a sua própria força
para ele voltará
para ser
verdadeiramente "ela"


"O meu verdadeiro "eu" está em nunca desistir"

domingo, 27 de junho de 2010

Onde há verde...


Onde há verde, existe esperança...
Sempre a última a morrer...

O veneno...



Como fui ridícula
em acreditar que me amavas
como fui ridicula em sofrer
por um amor
que era apenas meu
Como sou ridicula em esperar
que o ser "doce" que eu sempre amei volte
e apague esse ego egocêntrico e egoista
que me mata e queima com o silêncio
Fomos um só tantas vezes
não entendo,
nunca vou entender
Podes destilar
todo o veveno do mundo
sobre mim...
Mas nem isso
me fará deixar de te amar
porque tu não controlas
os meus sentimentos,
nem tão pouco os teus...
vives na mais pura ilusão...

domingo, 20 de junho de 2010

Prisioneira


Era prisioneira dos sonhos
envoltos nos seus cabelos
jamais os perderia,
porque fazem parte das linhas
do seu destino
prisioneira do amor,
apenas que um único
um verdadeiro amor
as palavras voam ao vento
mas o sentimentos
ficam gravados para sempre...

terça-feira, 15 de junho de 2010

No que me tornei...


Os pensamentos
não se apagam no tempo
mas o seu sentido
já não traz a mesma certeza
dou por mim perdida
magoada
ferida
assustada
Mudei?
talvez sim
mas quem não muda?
já não me identifico com aquilo que era
mas da mesma forma não me identifico
com aquilo que me tornei
sentia magia no que escrevia
agora tudo se apagou
a vontade já não é a mesma
a força não é a mesma
no que me tornei?
não sei
talvez um dia tenha a resposta
por agora a vida consome-me
como álcool
que arde até a última gota

http://viverdeamorci.blogspot.com/

segunda-feira, 14 de junho de 2010

Afogada


As lágrimas caiam pela sua face
com a força da tempestade
que inundava a noite

entre a pele
e os ossos das clavículas
no seu corpo seco
e magro de amargura
existiam uns lagos salgados
que lhe afogavam a alma

os olhos já não brilhavam
estavam negros e vidrados
com o peso de noites e noites
de pesadelos reais

a dor das mil e umas noites
estava em todos os segundos
e sentia-a como milhares
de facadas pelo corpo todo

feridas abertas que jamais
se iriam fechar
apenas na eternidade
da morte perpétua

fechou a boca
ao mais básico alimento
a doença era mais forte
que a vida

e sem a vida apenas
desejava a morte

domingo, 13 de junho de 2010

Grito de silêncio


Até hoje
talvez nunca tivesse
imaginado que a dor poderia
a esmagar a cada dia
lhe roubar as forças
apagar o seu corpo
sem sonhos
sem vida
apenas DOR
desespero
queimou os sorrisos
em folhas de papel
com o fogo de um amor
que a MATA
até quando?
porquê?
seria ela um ser detestável
para lhe arrancarem o coração
e viver do vazio
do silêncio
da fome do corpo
da sombra da alma
gritou a agonia entranhada na garganta
nenhum som saiu
perdera a voz
a razão
apenas no abismo
teve a sua morada
onde lentamente
se deixou morrer
morrer de DOR
num INFERNO sem fim

De predadora a presa...


Abrindo o livro da vida
virando página a página
encontrou lembranças
de tempos em que a mágoa
não era temida
predadora em noites quentes
em que o futuro
pouco importava
muito menos
o destino das suas presas
afiava as garras
em noites de lua cheia
vivia na sombra da noite
sem existência própria
passaram-se noites e noites
em que se soltava a fera
devoradora de sonhos
até que o vazio
que caminhava
entranhado na sua pele seca
a fez mudar de rumo
passaram-se dias, anos
em que as horas e os segundos
se somaram
em músicas de notas ocas
até que os papeis se inverteram
e de predadora passou a presa
mastigada e cuspida
como carne crua sem gosto
e até hoje
as lágrimas de sangue
escorrem-lhe pelo rosto

Destino?
Escolha?
O mistério fica no silêncio do oculto...

terça-feira, 8 de junho de 2010

Nada sabe...



Nada sabe...
Escreve,
Não, para sonhar,
Não, para sorrir...
Mas apenas para libertar a desilusão,
Que guarda em si...
Não sabe bem o que sente...
Não sabe...
Cada vez que procura uma resposta,
Mais confusa fica...
Não sabe, se é o silêncio que a magoa,
Ou se as palavras,
Que foram secas e lavadas em fúria...
Palavras que não disseram nada,
Mas que a fizeram sentir tudo...
Não sabe...
Hoje neste dia frio e húmido,
Sente a falta de um carinho...
É nestes momentos que vê,
O quanto está só e fágil...
Nada a sua volta...
Nada mais que o nada...
Nada que a faça,
Querer viver o dia de amanhã...
E ver a vida com outros olhos,
Não sabe como olhar para o futuro...
Não sabe o que vai ter,
Para além, desta sensaçao de vazio...
Não sabe,
O que esperar do tempo..
Porque ficar a espera do nada...
Desilude...

domingo, 6 de junho de 2010

Mágoa

Amou e ama com todas as forças
mesmo que o seu coração
esteja carbonizado pela mágoa...
Assim é.
Assim será...



Aegroto dum anima est, spes est.
Alea iacta est.

quarta-feira, 19 de maio de 2010

Amar com sentido



Será o amor
a capacidade de superar
as diferenças de
personalidades
barreiras geográficas

os conflitos que fervilham
de más interpretações
será que os sorrisos que se colhem hoje
voltam a memória num amanhã
em que os pensamentos frios
e as respostas secas
surgem num remoinho
impossível de controlar

Amar
tudo começa e acaba ai
na capacidade que temos
de sentir as mágoas do outro
na nossa própria carne
escutar sem pedir nada em troca
Amar está longe de se limitar
à troca de carinhos diários
no cruzar de olhares
Amar é um percorrer de trilhos
que levam tempo a passar
porque nem sempre o caminho é certo
e a estrada segura
Amar é simplesmente
aprender a cada dia com os erros
e com as decisões certas
nos momentos certos
e as erradas
nos momentos menos felizes
Amar com sentido
e com todos os sentidos
missão dura
mas não impossível

As duas faces da mesma moeda


O tempo passava lentamente
tempo que lhe permitia
passar dias e dias
apenas com a sua consciência
tempo a mais para pensar
na vida, na morte, no amor, na solidão
tempo a mais
com os seus próprios pensamentos
aos poucos
foi abrindo os olhos
ou talvez
ficando mais cega
por vezes a mentira
parecia-lhe verdade
e a verdade pura mentira
a vida passou a ser
um jogo diário
reencarnando as faces
de uma mesma moeda
ora detestável
ora amável
dois seres que dividem
uma mesma pessoa
alimentados ambos da mesma forma
a sua verdadeira luta interior
resume-se a equilibra-los
mas nem sempre o consegue
porque não controla o mundo
e muito menos os pensamentos
que tanto lhe fazem amar
como odiar ao mesmo tempo
um dia talvez tenha a resposta
às suas perguntas
mas hoje fica na dúvida

sábado, 15 de maio de 2010

As barreiras do infinito



Acordou de manhã
com a sensação de que a noite
teria sido demasiado curta
dor no corpo
dor na alma
simplesmente dor fria a crua
entranhada em cada articulação
em cada célula epidérmica
sentiu-se entre duas barreiras
que a imobilizaram
apenas lhe permitindo respirar
e nada mais
Seria esta a verdadeira razão de viver?
sem sorrisos?
sem olhares?
sem carinhos?
Acordar de madrugada
com o vazio das paredes
e as vozes da radio
que lhe lembravam
que o dia começava assim
pensava que amanhã seria diferente
mas não passaram
de um correr de dias
em que as barreiras do infinito
pouco lhe ofereceram
e tudo lhe tiraram