segunda-feira, 14 de junho de 2010

Afogada


As lágrimas caiam pela sua face
com a força da tempestade
que inundava a noite

entre a pele
e os ossos das clavículas
no seu corpo seco
e magro de amargura
existiam uns lagos salgados
que lhe afogavam a alma

os olhos já não brilhavam
estavam negros e vidrados
com o peso de noites e noites
de pesadelos reais

a dor das mil e umas noites
estava em todos os segundos
e sentia-a como milhares
de facadas pelo corpo todo

feridas abertas que jamais
se iriam fechar
apenas na eternidade
da morte perpétua

fechou a boca
ao mais básico alimento
a doença era mais forte
que a vida

e sem a vida apenas
desejava a morte

2 comentários:

Rafeiro Perfumado disse...

Desejar a morte não pode nunca ser a solução, por muita água que nos caia em cima ou nos saia dos olhos...

ci disse...

por vezes nada mais nos resta...