sábado, 13 de agosto de 2016

Eras noite

O verão caminhava
lentamente e triste
Num mar de cinzas 
Abafando o ar

{Ai lua 
Se de tanto que é minha
Também fosse tua
O silêncio gritaria
Ecos sem fim} 

A vida já não é o que era
O corpo ganha as rugas 
Que nos perseguem 
Na nova adolescência dos 30

Será que amar é isto?
Um equilíbrio entre o ter 
O medo de perder 
O deixar ir
Porque queremos demais 
Pedimos demais
E sem o ver
Perdemos

Era mais um dia

{Em que nada sei
hoje nada sinto
Para além do medo
De te amar}

Menos uma noite.

Cidália Oliveira

 (Texto e fotografia) 










sexta-feira, 10 de junho de 2016

{Des}amar{te}

A noite vai longa
Os suspiros que se soltam
Confundem-se com o vento
Que teima
Em afirmar presença
Sinais de um verão esquecido

Na escuridão
Nada se esconde
Tudo se teme
A solidão treme
entre os {meus}dentes

As palavras alinham-se
Nos {meus} lábios
A boca grita seca
Profundamente ferida

Suspiro{te}

Nada faz sentido
Tempo perdido
Amor ferido
Ego tremido

As promessas fingidas
Que levam tempo
{tempo maldito}
São falsas, injustas
Mas entranham-se no corpo
Sem hora de partirem
Sabes?

É tarde demais.

Cidália Oliveira

Texto & Photografia







terça-feira, 7 de junho de 2016

Sem destino

O que a vida nos dá 
O que pensamos possuir
É mais temporário 
Que mil ventos dispersos
Nos caminhos de ferro
Após a passagem 
de um comboio em fúria 

Nada é mais fútil 
Que perder o que nunca foi nosso
O que nem tempo tivemos de viver
Nada é mais injusto
Que esquecer os sorrisos  
De ontem
Que hoje nos confundem
E perseguem desesperadamente
quando a luz se apaga

Os porquês da nossa infância 
Atropelam-nos em adultos 
E quase que se mata o tempo
Quando ele nos sobra
[E sobra-me tanto]

Passaria dias e milhares de noites 
A procura das palavras certas 
Para descrever o indescritível 
Das perguntas erradamente feitas
Que nunca terei resposta

A viagem vai longa
A vida mais curta
Os sonhos mais distantes
E o comboio, esse?
Segue, sem destino

Cidália Oliveira

Texto&fotografia


terça-feira, 10 de maio de 2016

O dia que nunca chega

Sei de um lugar
Onde o dia
Nunca treme
Onde o verde
Domina a realidade
Dos mortais

Onde o tempo passa
E os caminhos se separam
Dias que se espaçam
Numa procura incessante
De um lugar apenas meu

A caminhada vai longa
A primavera teme em aparecer
O presente incerto
E o destino esse
Decidiu me esquecer

Sei de um lugar
Que nunca será meu
Mas que hoje
Me mostra a forma
De viver neste verde
Que nunca treme
Onde a cada passo
O meu corpo se rende

Cidália Oliveira
Texto & Fotografia




domingo, 8 de maio de 2016

Na minha pele


Demasiadas caras
Na pele de um só corpo 
Uma só alma
Uma só vontade
De adaptar a vida
As infinitas escolhas 

De lua em lua
Foi-se escondendo 
Colhendo paciência 
Entre os ramos confusos
De uma árvore que cresceu 
Com mil pontas sem rumo

Dia por dia
Olho por olho

Volto as tuas mãos 
Amor que me leva
Que me transforma
Amor a mim 
Na mais simples forma
Egocêntrica do ser
Que me assumo ser

Cidália Oliveira 



sábado, 20 de fevereiro de 2016

Desvio

{Sei de um novo lugar
Em que a magia
Se liberta de forma natural}

Para os mais cépticos seria mais fácil explicar que me perdi mais uma vez! Faz mais de um ano que não vinha aqui, e no entanto, odeio o mundo consumista e o exibicionismo que as redes sociais permitem... Por uma frase escrita se reclama um direito de ser autor! Poetas a pressão! Bom deixo me de tretas...
Voltei com um novo projecto nesta casa...
Até já!

*
Há luas e luas
Dois olhares
Que se procuram
{...}
Hoje o impossível
Confunde se com o real

Antagonismo?
Não!
Apenas amor
{♡}
*
Cidália Oliveira
O amor & as fotografias




terça-feira, 26 de agosto de 2014

Preto no branco

Quanto o preto dos meus olhos
se escondem no branco dos teus
esquecem-se os dias
perdem-se os Invernos
que vou contando
pelas palmas das minhas mãos

Quando o preto
dos meus pensamentos
se manifesta sem aviso
tudo fica perdido
o calor mais distante
o amor mais quebradiço

Quando a tua sombra
se afasta da minha
o meu corpo estremece
os meus dias desalinham

Como viver sem ti?
se em mim estás
num equilíbrio
como um vento brando
que afasta
o pó preto dos meus dias

Cidália Oliveira

sábado, 8 de março de 2014

Mulher

Mulher

Entre o silêncio
deslizou o corpo esguio
como mulher se ergueu
como mulher se forjou
a ferro e fogo

cultivou desafios
alinhou segredos
secou tristezas
amou sem limites

fez-se mulher
entre linhas
e suspiros


Texto & Fotografia


sábado, 18 de janeiro de 2014

Destinos quebrados

As mesmas mãos
num vasto e triste silêncio

Fez-se do desgosto o gosto
de lábios vazios
da culpa uma insónia
num breve rodopio

Trapos do destino
que me queimam as raízes
sem leme
sem rumo

Restos de suspiros
de amargos dias


Ficam-me os flocos de neve
que se confundem
na imensidão do tempo


 Cidália Oliveira



Texto & Fotografia


domingo, 13 de outubro de 2013

Quente e ausente


Sentir que os sonhos
se esfregam na pele
e desaparecem com o toque
de uma mão tremida

Fosse esta minha vida
diferente da tua
em que as escolhas
não se perdem no tempo
e o amor esse
simplesmente acontece

Sinto o calor
de uma saudade
que me chega a boca
e que se afoga nos meus olhos
por não te ter

Saudade
nada mais
nada menos

De ti

Cidália Oliveira




Texto & Fotografia





terça-feira, 14 de maio de 2013

Raízes de vida

O significado de VIDA resume-se a preencher os espaços vazios que o tempo nos deixa...

Tenho-te vida
nos meus dedos
nas minhas raízes
nas minhas entranhas
no sangue que ferve
no meu corpo
em cada suspiro

Tenho-te em mim
até que o silêncio
me leve
estou em ti
em cada vazio
que o tempo deixou

Estou
e estarei

*volto sempre*

Cidália Oliveira

(em carne e osso) 

Texto & Fotografia
 





quarta-feira, 20 de fevereiro de 2013

O que o tempo oferece


A noite espera-me
como todas as outras
em que acumulo rugas

O tempo oferece-me
dias demasiados curtos
em que o corpo se cansa

Em que a saudade se prende
a momentos que aguardo
ter tempo para viver

Hoje resta-me
voltar atrás no tempo
e recordar o que me foi gratuito
o que o dinheiro e a saudade
nunca vão substituir

O sorriso de uma mãe
o carinho de um irmão
o cheiro do amor

A vida que vivi pelos outros
nunca foi minha
                                                                   
Cidália Oliveira


Texto & Fotografia




domingo, 13 de janeiro de 2013

Restos de tempo

Entre o que vejo 
e o que sinto
vive um abismo

O meu corpo dorme
o pensamento consome
o que o tempo me leva

Seja o primeiro dia
do resto da vida
que as palavras
me oferecem

Tempo eterno
que se enrola
nos meus dedos

Cidália Oliveira

Texto & Fotografia


PS: para os que sentem a minha falta...Cliquem no título "Restos de tempo", estarei por lá...

sábado, 28 de julho de 2012

Novas mãos nas mesmas tintas


Cidália Oliveira (Texto&Foto)

Espalhou sonhos
entre prosas de assimétricas
embaladas em folhas
de palavras irregulares

Regou uma vida
que se repetiu
em cada quebra de luar

Talhou uma melodia
de palavras soltas
com uma voz que falhou
e uns olhos que secaram
no desespero vivo
de um verão tardio

Um tempo de dois dias
em que a vida se esmoreceu
um sorriso que ficou 
um vazio que se esqueceu
uma simples reticência
numa frase incompleta

Fez-se ao silêncio

entre as páginas
de um livro
de origens apagadas
e de liberdade tremida

Respirou o mesmo ar
de ontem
com a saudade
a navegar na boca

Numa liberdade de ser

sem se questionar