domingo, 15 de agosto de 2010

A simplicidade das palavras


As palavras eram a sua libertação
usava-as como um banho relaxante
a todo o momento
a toda a hora
vivia com a caneta
e um papel qualquer
guardados na mala
e de rascunhos
foi criando textos
secos, amargos e até felizes
eram nada mais, nada menos
que palavras pouco pensadas
mas instintivamente
transcritas em prosa
sentimentos em palavras
ou palavras com sentimentos
uma fonte inesgotável de ideias
corridas a tinta
de poeta tinha pouco
de selvagem muito
a fúria das palavras viera para ficar
e nem o pôr do sol
nas linhas douradas
das margens do Douro
foi capaz de a acalmar

"A menina abriu a porta
a um mundo de ilusão
acreditou no que viu
no que sentiu
a porta fechou-se
sem nada ficou
o corpo secou
o círculo envolveu-a
prendendo-a na teia
da tristeza"

Perdera os sonhos
até a vida
lhe parecera mais curta
mas era apenas o princípio
o certo era
que o pôr do sol acontecia
repetidamente
voltando a cada amanhecer
assim como as suas palavras
jorravam de uma fonte
como lágrimas
em águas de mar
dissolvendo-as
até ao mais básico dos elementos
na simplicidade das palavras

1 comentário:

Curiosa disse...

Ci, querida ..
que belas palavras !!!!
as palavras também são minha libertação diária ... Através delas estou e vou aonde quero estar ...

gostei de cada post daqui .. mais que gostar, identifiquei-me ...

que escritora maravilhosa é você ...

abraço, querida ...