quarta-feira, 29 de dezembro de 2010

Poeira de lua


Foto:Carlos Cascalheira "O maltês"


Os olhos ardiam-lhe
das horas passadas
a fixar a lua
o corpo cansou-se
de tanto esperar
numa sede de amor
secou-lhe a boca
perdera o gosto

Imaginou noites
em que tudo
foi diferente
noites em que os olhares
se tocaram
em que os sorrisos
se rasgaram
e iluminaram
a madrugada sombria

Dessa lua
colheu poeiras de sonhos
lentamente espalhou-as
para voarem livres
até as mãos
de quem for capaz
de as voltar a moldar
na forma inicial

Nessa lua
vive um rosto
no corpo que a observa
a saudade de uma boca
perdida nos dedos
do tempo

4 comentários:

Virgínia do Carmo disse...

Bonito poema, Ci... a saudade pode ser tão demolidora...

Aproveito para te deixar votos de um excelente 2011! Tudo de bom para ti :)

Beijinho

ci disse...

A saudade nunca escolheu a porta a qual bate...por vezes bate é sempre na mesma...

Uma beijoca grande e Bom ano

utopia das palavras disse...

Moldar a poeira da saudade e fazê-la lua, apertada entre as mãos!

Belo!

Abraço

ci disse...

Acrescento com as mãos certas...ou nunca voltará a ter a forma inicial...

Obrigado pela visita

beijo da Ci