sábado, 7 de novembro de 2009

Maré...


A maré baixa levou-lhe as mágoas
a maré alta devolveu-lhas
na areia macia ficaram as marcas
em pegadas apagadas pelo vento
que lhe acariciava o cabelo
numa dança interminável
de carícias e sensações...


Em segredos escondia-se
como se a verdade fosse inútil
guardou os seus sonhos
em linhas que percorrem o seu corpo
sem sentido aparente
mas com validade eterna
em cada centímetro de pele...


Afastava-se do espelho
para não observar as sombras
que habitavam no seu corpo
escondia-se da luz para não voltar a ter cor
vivia assim tendo como única prova
de que estava viva
o seu coração que batia...


Recebia a solidão a cada olhar desconhecido
em cada passo dentro de casa
sentia que o frio não era o mesmo
de outros invernos passados
esse vinha de dentro do seu coração
e espalhava-se no olhar
numa triste noite longe do mar...


4 comentários:

Miguel Pires Cabral disse...

A tua luta, é tão feroz como a aflição felina,
de umas garras ameaçadas, num cenário mergulhado em palavras, no risco tóxico,
impregnado & semântico de um léxico
comum à tua:
natureza humana.

Rafeiro Perfumado disse...

O truque é fugir antes que a maré volte a subir...

Beijo!

Cris mary disse...

Fantastiscas as tuas palavras aliadas à tua imagem!! amei!!
bisus

cris

ci disse...

Miguel- uma natureza impossivel de contrariar...

rafi- vou pensar nisso na proxima...:P

cris- e pronto descobris-te o meu club dos poetas mortos...:P

beijo da ci para todos