domingo, 13 de janeiro de 2013

Restos de tempo

Entre o que vejo 
e o que sinto
vive um abismo

O meu corpo dorme
o pensamento consome
o que o tempo me leva

Seja o primeiro dia
do resto da vida
que as palavras
me oferecem

Tempo eterno
que se enrola
nos meus dedos

Cidália Oliveira

Texto & Fotografia


PS: para os que sentem a minha falta...Cliquem no título "Restos de tempo", estarei por lá...

sábado, 28 de julho de 2012

Novas mãos nas mesmas tintas


Cidália Oliveira (Texto&Foto)

Espalhou sonhos
entre prosas de assimétricas
embaladas em folhas
de palavras irregulares

Regou uma vida
que se repetiu
em cada quebra de luar

Talhou uma melodia
de palavras soltas
com uma voz que falhou
e uns olhos que secaram
no desespero vivo
de um verão tardio

Um tempo de dois dias
em que a vida se esmoreceu
um sorriso que ficou 
um vazio que se esqueceu
uma simples reticência
numa frase incompleta

Fez-se ao silêncio

entre as páginas
de um livro
de origens apagadas
e de liberdade tremida

Respirou o mesmo ar
de ontem
com a saudade
a navegar na boca

Numa liberdade de ser

sem se questionar 

segunda-feira, 21 de maio de 2012

Teclas tremidas

Nas teclas de um piano
em que a vibração
lhe tremeu entre os dedos
cresceu a lembrança
que foi abafando
sem saber

No olhar
viveu o desespero
de não escolher
quem quis amar

Numa boca
seca de palavras
em silêncio
esqueceu os dias
mergulhando nas noites
dos seus sentidos

Foi o que sentiu
uma sombra deixada
no rasgar da noite
cheia de vazios
no caminho estreito
que lhe percorreu a alma
e incendiou o corpo

*Segredos de mim
cobertos de ti
um sal que se dilui
nos meus olhos
e me amarga a boca *

Cidália Oliveira

quarta-feira, 11 de abril de 2012

Vício de sílabas

O segredo
entranhou-se-lhe na boca
os suspiros na alma
o silêncio despertou-a
 

Abraçou a noite
amou as sombras
à luz das estrelas
 


Beijou a chuva
que lhe dissolveu os olhos
em lágrimas comuns
ao mais vivo dos mortais

Lembra-se de escrever a noite
deixar de tentar amar
limpou-lhe o corpo
mas o amor
marcou-lhe o rosto
 


Numa perfeita imperfeição
que lhe cavou os olhos
e desalinhou o gosto

Dançou-lhe
uma melodia
nos ouvidos
escondeu-se nos seus dedos
perdeu-se em porquês
que não procurava
inventou um poema
de palavras mudas
 


Vício de sílabas
regadas a tinta
sopro de palavras despidas

Tempo do silêncio
ser poeta
faltou-lhe o sentir
de outros dias
os sorrisos
de outros momentos

Eternizou as palavras

tentando mudar o tempo
fecharam-se os céus
abriram-se os olhos

Suspirou a boca

de saudade (de mim)
 
Cidália Oliveira


*Vidas que vivem em mim

sonhos ainda que procuro*

sábado, 11 de fevereiro de 2012

Entre pontos

Estranho o beijo
que lhe roubou o tempo

Relembrou os dias
em que a poesia
lhe dançou nos dedos

Sentiu o amor
como as teclas de um piano
em que a melodia
deixou de se ouvir

Menina de escuro cabelo
de claros sonhos
sedenta de vida
procurou as águas do Douro
o corpo na foz ficou
a alma na saudade vive

As recordações
não se apagam
os amores
não se esquecem

Os porquês não se explicam
o vazio não se justifica
mas a tristeza fica
entre cada linha escrita

O sótão de memórias
é infinito
entre versos
o recordar fica descrito

.
Entre linhas
entre pontos
.

terça-feira, 13 de dezembro de 2011

Contra (Tempo)

Tempo
em que as flores
lhe nasceram
da boca

Brilharam os dias
secaram as noites
perdidas além mar
num ir
sem querer voltar

Efémera verdade
código perdido
nas reticências
de uma sedenta
e lenta vida

Silêncio de fundo
eco
de ponto final

Nem todo o princípio
teve um fim
mas o silêncio
esse sim

Mulher de uma noite
Poeta de um só dia
ao abrigo das palavras
de hoje e de sempre

Suspiro arrependido
luta interna
verdade estéril
entranhada
nas raízes
de um Contra
(tempo)

.
Os meus dias
afogados
nas tuas noites
.

segunda-feira, 31 de outubro de 2011

Abrigo (entre dedos)

Esculpidos no gelo
olhos de cristais
soltaram-se no silêncio
de um porquê perdido

Rodou a lua
num amanhecer lento
penumbra de saudade
face quente
encanto de um abrigo
entre dedos

Beijou o tempo
no compasso
de um doce relento
sonho entre folhas
de uma madrugada rugosa
misturada à poeira
que o pensamento deixou

Sentiu verdade
nas mentiras
que foi colhendo
enganou o passado
cobrindo de ouro
o presente

domingo, 9 de outubro de 2011

Entre linhas

Entre linhas
de passos descalços
foi sentindo
o húmido orvalho
roubado a noite

na sombra deixou
os mesmos suspiros
de sempre
nas rugas que não tinha
os segredos de ontem

finalmente livre
vive novamente
de amor pelas palavras
que nunca lhe secaram

raízes nos seus pés
essência de um mundo
poeta que nunca foi
perdida nas palavras
que nunca teve

quarta-feira, 21 de setembro de 2011

Adeus doentio


Trazia na boca um sabor
de cigarro rejeitado pela saliva
dias e noites
foi somando
em números ímpares
tempo dissolvido
num silêncio caustico
arame na boca
desprezo no corpo
sombra de sempre
num olhar perdido
mentira entranhada na pele
prazo diminuído
numa lavagem de palavras
sem sentido

Seja este um último adeus
ao teu erro
um adeus doentio
que se entranha
nas palavras gastas
sussurradas, esmigalhadas
num último
copo bebido

domingo, 4 de setembro de 2011

Vermelho vestida


Tempo finito
vermelho vivo
cor de chama
em fogo

Natureza estática
verde envolto
cristalino vento
entre duas cordas

Menina eras
em tempos rotos
mulher te fizeste
em raro tempo

Saudade efémera
alimento foste
fado de poeta
poema gemido
de uma guitarra usada

Seguiu a vida
a mulher
de vermelho vestida
seguiu e segue

segunda-feira, 1 de agosto de 2011

Preto luar


Pretos eram os seus olhos
cor de carvão queimado
em noite de lua vazia

Pretos eram os seus cabelos
que voaram numa dança irregular
enquanto o pó das estrelas
pairou no ar

Pretos eram os seus sonhos
com reflexos de branco real
tatuados num dos seus ombros

Preta era a sua roupa
camuflagem de vingança esquecida
espera arrefecida
na cápsula do tempo

Preto foi o luar
que lhe ficou no rosto
numa noite bela
por acabar

Preto luar
de olhos apagados
pelo ar

terça-feira, 21 de junho de 2011

Eco de sol


Do eco fez-se sol
do vazio renasceu
a luz da áurea perdida
nos tempos

Percorreu a areia
temida de fria
foi deixando marcas
que a maré levou
aos soluços

Deixou de pensar
apenas sentiu
o pôr-do-sol
com magia de luar

O corpo
separou-se-lhe da alma
navegou, navegou
ainda navega
e reluz na espiral
das ondas
que a despiram
de dúvidas e desgosto

Fechou os olhos
e lá ficou
ainda hoje se vê
no vermelho do céu
trocando carícias
com o rei sol

quarta-feira, 15 de junho de 2011

Na pele da calçada


Estranhou
enquanto o cheiro a medo
se entranhou nas ranhuras
da calçada
que percorreu
descalça

Estranha menina
que se escondeu
na pele
de uma mulher
perdida

Levou na alma
o que o mundo esqueceu
regou o corpo
numa chuva de gotas
dos dedos do céu

No coração guardou
restos de tempestades
embrulhados em páginas
de mil e uma lágrimas

Na alma afogou
o que as palavras
esconderam

No corpo gravou
cada dia e cada hora
nas rugas do tempo
em folhas de rastos
de leves poeiras
de saudade

Viveu uma vida
em que cada minuto
se desligou
como uma lâmpada
fundida

Esperou pelo ontem
que lhe salgou a boca
esperou
ainda espera
e desespera
entre cada lágrima
que solta
pelo corpo

sábado, 4 de junho de 2011

Girassol de sol



Gira girassol
brilho de sol
amarelo estridente
poeira de estrela cadente

Sonho de mulher
fogo que arde
nas planícies
sedentas de amor

Asas de tempo esgotado
mágoas verdes
de labirinto
sem fim

Gira girassol
lembra ao mundo
que o incerto
segue o seu rumo
e o certo
apenas o observa

Gira girassol
de sol
de amor


sexta-feira, 15 de abril de 2011

Rugas de vida



Um silêncio que torturava
as paredes de uma pele
escamosa e enrugada
os limites de um tempo
que escorriam
das rugas da vida

uma natureza selvagem
de olhos de musgo
corpo de casca de árvore
talhado pelas gotas do orvalho
de uma manhã submersa
no desconhecido

sentia-se
encurralada num tempo
que não era seu
em que as palavras se cuspiam
como um fruto de sabor
amargo e verde

Página a página
desfolhou
uma boca sem linhas
onde as palavras
mergulharam
num mar selvagem
de reticências
num ponto sem nó
numa letra sem dó

Soltou-se entre as linhas
de dois tempos
guardou as lágrimas de ontem
e desse sal
fez o tempero
de um novo fim