Estranho o beijo
que lhe roubou o tempo
Relembrou os dias
em que a poesia
lhe dançou nos dedos
Sentiu o amor
como as teclas de um piano
em que a melodia
deixou de se ouvir
Menina de escuro cabelo
de claros sonhos
sedenta de vida
procurou as águas do Douro
o corpo na foz ficou
a alma na saudade vive
As recordações
não se apagam
os amores
não se esquecem
Os porquês não se explicam
o vazio não se justifica
mas a tristeza fica
entre cada linha escrita
O sótão de memórias
é infinito
entre versos
o recordar fica descrito
.
Entre linhas
entre pontos
.
sábado, 11 de fevereiro de 2012
terça-feira, 13 de dezembro de 2011
Contra (Tempo)
Tempo
em que as flores
lhe nasceram
da boca
Brilharam os dias
secaram as noites
perdidas além mar
num ir
sem querer voltar
Efémera verdade
código perdido
nas reticências
de uma sedenta
e lenta vida
Silêncio de fundo
eco
de ponto final
Nem todo o princípio
teve um fim
mas o silêncio
esse sim
Mulher de uma noite
Poeta de um só dia
ao abrigo das palavras
de hoje e de sempre
Suspiro arrependido
luta interna
verdade estéril
entranhada
nas raízes
de um Contra
(tempo)
.
Os meus dias
afogados
nas tuas noites
.
em que as flores
lhe nasceram
da boca
Brilharam os dias
secaram as noites
perdidas além mar
num ir
sem querer voltar
Efémera verdade
código perdido
nas reticências
de uma sedenta
e lenta vida
Silêncio de fundo
eco
de ponto final
Nem todo o princípio
teve um fim
mas o silêncio
esse sim
Mulher de uma noite
Poeta de um só dia
ao abrigo das palavras
de hoje e de sempre
Suspiro arrependido
luta interna
verdade estéril
entranhada
nas raízes
de um Contra
.
Os meus dias
afogados
nas tuas noites
.
segunda-feira, 31 de outubro de 2011
Abrigo (entre dedos)
Esculpidos no gelo
olhos de cristais
soltaram-se no silêncio
de um porquê perdido
Rodou a lua
num amanhecer lento
penumbra de saudade
face quente
encanto de um abrigo
entre dedos
Beijou o tempo
no compasso
de um doce relento
sonho entre folhas
de uma madrugada rugosa
misturada à poeira
que o pensamento deixou
Sentiu verdade
nas mentiras
que foi colhendo
enganou o passado
cobrindo de ouro
o presente
olhos de cristais
soltaram-se no silêncio
de um porquê perdido
Rodou a lua
num amanhecer lento
penumbra de saudade
face quente
encanto de um abrigo
entre dedos
Beijou o tempo
no compasso
de um doce relento
sonho entre folhas
de uma madrugada rugosa
misturada à poeira
que o pensamento deixou
Sentiu verdade
nas mentiras
que foi colhendo
enganou o passado
cobrindo de ouro
o presente
domingo, 9 de outubro de 2011
Entre linhas
Entre linhas
de passos descalços
foi sentindo
o húmido orvalho
roubado a noite
na sombra deixou
os mesmos suspiros
de sempre
nas rugas que não tinha
os segredos de ontem
finalmente livre
vive novamente
de amor pelas palavras
que nunca lhe secaram
raízes nos seus pés
essência de um mundo
poeta que nunca foi
perdida nas palavras
que nunca teve
de passos descalços
foi sentindo
o húmido orvalho
roubado a noite
na sombra deixou
os mesmos suspiros
de sempre
nas rugas que não tinha
os segredos de ontem
finalmente livre
vive novamente
de amor pelas palavras
que nunca lhe secaram
raízes nos seus pés
essência de um mundo
poeta que nunca foi
perdida nas palavras
que nunca teve
quarta-feira, 21 de setembro de 2011
Adeus doentio
Trazia na boca um sabor
de cigarro rejeitado pela saliva
dias e noites
foi somando
em números ímpares
tempo dissolvido
num silêncio caustico
arame na boca
desprezo no corpo
sombra de sempre
num olhar perdido
mentira entranhada na pele
prazo diminuído
numa lavagem de palavras
sem sentido
Seja este um último adeus
ao teu erro
um adeus doentio
que se entranha
nas palavras gastas
sussurradas, esmigalhadas
num último
copo bebido
domingo, 4 de setembro de 2011
Vermelho vestida
Tempo finito
vermelho vivo
cor de chama
em fogo
Natureza estática
verde envolto
cristalino vento
entre duas cordas
Menina eras
em tempos rotos
mulher te fizeste
em raro tempo
Saudade efémera
alimento foste
fado de poeta
poema gemido
de uma guitarra usada
Seguiu a vida
a mulher
de vermelho vestida
seguiu e segue
segunda-feira, 1 de agosto de 2011
Preto luar
Pretos eram os seus olhos
cor de carvão queimado
em noite de lua vazia
Pretos eram os seus cabelos
que voaram numa dança irregular
enquanto o pó das estrelas
pairou no ar
Pretos eram os seus sonhos
com reflexos de branco real
tatuados num dos seus ombros
Preta era a sua roupa
camuflagem de vingança esquecida
espera arrefecida
na cápsula do tempo
Preto foi o luar
que lhe ficou no rosto
numa noite bela
por acabar
Preto luar
de olhos apagados
pelo ar
terça-feira, 21 de junho de 2011
Eco de sol
Do eco fez-se sol
do vazio renasceu
a luz da áurea perdida
nos tempos
Percorreu a areia
temida de fria
foi deixando marcas
que a maré levou
aos soluços
Deixou de pensar
apenas sentiu
o pôr-do-sol
com magia de luar
O corpo
separou-se-lhe da alma
navegou, navegou
ainda navega
e reluz na espiral
das ondas
que a despiram
de dúvidas e desgosto
Fechou os olhos
e lá ficou
ainda hoje se vê
no vermelho do céu
trocando carícias
com o rei sol
quarta-feira, 15 de junho de 2011
Na pele da calçada
Estranhou
enquanto o cheiro a medo
se entranhou nas ranhuras
da calçada
que percorreu
descalça
Estranha menina
que se escondeu
na pele
de uma mulher
perdida
Levou na alma
o que o mundo esqueceu
regou o corpo
numa chuva de gotas
dos dedos do céu
No coração guardou
restos de tempestades
embrulhados em páginas
de mil e uma lágrimas
Na alma afogou
o que as palavras
esconderam
No corpo gravou
cada dia e cada hora
nas rugas do tempo
em folhas de rastos
de leves poeiras
de saudade
Viveu uma vida
em que cada minuto
se desligou
como uma lâmpada
fundida
Esperou pelo ontem
que lhe salgou a boca
esperou
ainda espera
e desespera
entre cada lágrima
que solta
pelo corpo
sábado, 4 de junho de 2011
Girassol de sol
sexta-feira, 15 de abril de 2011
Rugas de vida
Um silêncio que torturava
as paredes de uma pele
escamosa e enrugada
os limites de um tempo
que escorriam
das rugas da vida
uma natureza selvagem
de olhos de musgo
corpo de casca de árvore
talhado pelas gotas do orvalho
de uma manhã submersa
no desconhecido
sentia-se
encurralada num tempo
que não era seu
em que as palavras se cuspiam
como um fruto de sabor
amargo e verde
Página a página
desfolhou
uma boca sem linhas
onde as palavras
mergulharam
num mar selvagem
de reticências
num ponto sem nó
numa letra sem dó
Soltou-se entre as linhas
de dois tempos
guardou as lágrimas de ontem
e desse sal
fez o tempero
de um novo fim
domingo, 27 de março de 2011
Labirinto de segredos
Deu as chamas
em troca
do calor das estrelas
seguiu caminho
num labirinto
em que as paredes opacas
gemeram num silêncio
mumificador
Pensou na vida
no vazio
em que o seu corpo
se tinha fechado
num compasso passado
feito das barreiras
dos seus próprios limites
Um livro
em que as páginas
desesperaram
no branco
imaculado do nada
Segredos gravados
a ferro e fogo
segredos
sem sede
segredos
de silêncio
domingo, 20 de março de 2011
Eternidade incerta
Texto Jc Patrão/ Cidália Oliveira
Hoje acordei cedo
na ânsia de tocar o futuro
Ver flores negras à janela
e sentir apenas almas
de placebo
que respiraram a sua cor…
Cantam a um anjo
caído
que sem desolação
continuará a voar…
E sonhará que
será sempre possível
viajar em segurança para lá
da derradeira floresta
da vida
desde que não perturbemos
a sua chave para a eternidade…
Eternidade incerta
nas linhas de um corpo
irregulares ao tato
das mãos de seda
Caixa de Pandora
do sentir de um poeta
preso no corpo
de uma musa
Ardem os olhos
ardem palavras
no incerto do futuro
em silêncio
terça-feira, 15 de março de 2011
Solidão de prata
Afogaram-se
os cabelos da musa
num mar de olhar perdido
na prata de um amor
sem tempo
Brilharam purpuras
aromatizadas e cristalizadas
em pó de sonhos
nas retinas de uns olhos
cheios de sabores
Calou-se o tempo
no conforto do silêncio
entre cada fragmento
de um beijo
Rasgaram-se as nuvens
envolvendo o caís
numa solidão de prata
Sentir inocente
inocência sentida
no relevo
da boca do tempo
o teu tempo
quarta-feira, 16 de fevereiro de 2011
Ponto de encontro
Entre dois olhares
surgiu um ponto
entre dois pontos
um jogo de letras
gravadas nas badaladas
de palavras escritas
a luz da lua
de uma meia noite corrida
a vento ciumento
No cume do seu sentir
em que tudo aconteceu
e nada se esqueceu
o medo de ser
cercou-lhe a boca
vidrou-lhe os olhos
confundiu-lhe o gosto
em ligeiro desgosto
Do vazio fez o seu escudo
da incerteza
a calçada
por onde caminhou
prisioneira
do seu próprio corpo
As horas foram-se
somando e gravando
em fendas incertas
na corda do tempo
as estações do ano
germinado
até se apagarem
no inverno destemido
Como uma leve flor
de folhas delicadas
talhadas pelo gelo
abriu-se ao mundo
sem saber
misterioso enigma
aos olhos de quem
a observou
ao longe
bem longe
Cor nas pétalas
no sentir eterno
de um amor
perdido
Ponto de encontro
sem ponto
de um novo amor
Subscrever:
Mensagens (Atom)