sexta-feira, 23 de julho de 2010

Podre amor



Trazia na boca
o sabor a arsénico
nas veias o sangue
que circulava era quente
como o de um ser
queimado vivo
tinham-lhe atirado
tanta terra a boca
que já se sentia
mais morta que viva
a vida corria
e escorria-lhe
entre os dedos

e depois?

amor amor
podre amor

segunda-feira, 19 de julho de 2010

Doce "amarga" noite


Entre passos e tropeço
deslizava no meio da multidão
como uma lebre selvagem

Do outro lado
as luzes brilhavam
num douro
que separava duas margens
de uma cidade
quase esquecida

O coração batia forte ao som
dos ruídos da festividade
sorrisos, gargalhadas
entre copos e desabafos

Sentia a presença
de uma alma perdida
de coração rasgado
em orgulho
uma presença que lhe roubou o ar
que vinha da foz
de madrugada

Estava ali
ao alcance de um dedo
mas mais longe do que nunca
do silêncio fez
a sua estrada de partida
e seguiu caminho
sem olhar para trás

Ficou com o sabor amargo
da companhia de uma noite
regada com umas gotas de água
não era para ser assim
mas foi

Não se pode escrever uma historia
quando as palavras
se perderam
um dia
talvez tenha um fim
hoje não

sábado, 10 de julho de 2010

Como o vento...


Sentia-se como o vento
que acariciava os corpos
mas invisível aos olhos
ao único olhar
que lhe dava existência
como o vento
atravessava fronteiras
e fazia-se sentir
na brisa da manhã
num corpo vazio de sentidos
mas com marcas
de um amor perdido
feitas pelas unhas do destino

numa alma perdida no tempo

sexta-feira, 9 de julho de 2010

Desabafos do homem


Rodava o copo
todas as noites
a mesma hora
com o mesmo
ritual de sempre
queimava os cigarros
até ao filtro
sem se aperceber que as cinzas
lhe caiam pelos dedos
e se espalhavam pela mesa
ao acaso
não levou muito tempo
até que que o seu espírito
se liberta-se do seu corpo
numa espécie de transe
e alucinação
os neurónios em plena sinapse
completaram o seu estado
num delírio
mais-que-perfeito de palavras
regadas a álcool
textos sem sentido aparente
germinaram nesse instante

desabafos do homem
desabafos do copo

quinta-feira, 8 de julho de 2010

Lentamente


Existem dias assim
em que o mais perto
fica mais longe
em que as horas
são intermináveis
e o tempo teima
em não passar
mas passa na mesma
e os segundos voam
sem ela se aperceber
que tudo volta lentamente
ao seu devido lugar

Os sorrisos
ficarão para depois
para o momento
em que as linhas do destino
se voltarão a cruzar no tempo
e do bater ritmado dos corações
uma balada de vida eterna
tímida e e singela
ficará no ar

quarta-feira, 7 de julho de 2010

Das cinzas renasce o fogo


Queimou os dias
com a acidez das lágrimas
que foram escorrendo pela sua face
foi perdendo a força
a alegria de viver

Questionava o mundo e as coisas
sem nunca ter respostas
até hoje
foi juntando as cinzas
numa caixa de tempo
quando se apercebeu
da caixa vinha uma luz
bela e quente
aproximou-se mais
até que a caixa se abriu
as cinzas tinham se transformado
e ardiam com uma chama
que apesar de quente
ela não teve receio de tocar
das cinzas tinha vindo
para as cinzas voltou sem medo
no momento em que lhe tocou
o tempo inverteu-se
o tempo que se esgotava
estava a crescer novamente

Lembrava-se do tempo
o tempo que tanto ele lhe falava
fechou os olhos
e teve a certeza
que o tempo que lhe fora roubado
nunca se perdeu
esteve sempre com ela

Renasceu o fogo e ardeu
a partir desse momento
o tempo era só dela
a chama está bem viva
nunca morreu
as cinzas nunca foram cinzas
eram lágrimas de vida

A chama irá arder
o tempo que for preciso
até o dito voltar a ser escrito
e a mentira voltar
a ser uma verdade
incontestável...

terça-feira, 6 de julho de 2010

Fogueira de orgulho e desprezo


Ao cair da noite
a escuridão invadiu-lhe a alma
o sangue que percorria o seu corpo
fervilhava numa taquicardia interminável

As lágrimas que tinham secado por uns dias
voltaram a escorrer pelos seus olhos
como se de uma fonte maldita se tratasse

Imagens, palavras,
desfilavam pela sua mente
a velocidade da luz
mas por muito
que que as tentasse parar
foi impossível
não passavam de recordações
que em noites de amargura
lhe atormentavam o corpo
com sensações de que o ar
que tinha a sua volta
não era suficiente para respirar
que o coração estava (está) tão esmagado
que não voltará ao seu molde inicial

Dor, amargura, tristeza
nessa noite a vida resumia-se a isso
apanhar pedaços de uma vida
estilhaçada por uma única e só pessoa
mas até que ponto
ela iria aguentar?

Ontem o mundo parecia acabar
mas hoje continua viva
mas oca por dentro
como um livro em que arrancaram
todas as folhas
uma a uma
lentamente
e as queimaram
numa fogueira de orgulho e desprezo
em que nem as cinzas
de um amor ficaram

segunda-feira, 5 de julho de 2010

Perto do dia do fim


Observo dentro de mim a mágoa contida,
A revolta do engano,
A tristeza de ser usada e magoada,
Não existe mal que o tempo não cure,
Mas a mágoa entranhada no coração,
Nem o tempo a leva,
Sofri por amar, para me libertar,
Perdida fiquei no meu próprio tormento,
Na escuridão me senti,
Mas dentro de mim,
Por muito que a dor me cegasse,
Voltei a me encontrar,
Perdi-me por amar as coisas e as pessoas,
Agora descobri como as continuar a amar,
Mas de uma outra forma,
Viver sem amar é como um mar sem água,
Fracos não são os que amam,
Mas sim os que não sabem receber esse amor,
E viver é para os corajosos,
E eu voltei a aceitar o desafio,
Voltar a amar, amar-te a ti...
E enganei-me...
Mais uma vez...

in http://viverdeamorci.blogspot.com/

domingo, 4 de julho de 2010

O tempo...


Foi tão simples te amar
adormecer com o teu cheiro,
o teu calor
acordar a sorrir
acreditava que era ao teu lado que iria estar ...

Em ti nasceu
um amor único de uma vida
o tempo passou depressa demais

nos teus braços
e ficou lento quando voltei
para este meu canto
de sonhos perdidos

Ontem mais que hoje deixei
o meu coração colado ao teu
porque não se separava nunca de ti
o tempo passou
e o nosso amor morreu na primavera
com os nossos sorrisos

Deixei-te gravado
no olhar e no ouvido
que te amava com todos

os meus sentidos


Ainda o ouves?
Ou finges não ouvir?



Viver no passado ou no presente?ou no futuro?

quarta-feira, 30 de junho de 2010

Triste cobardia



É triste a cobardia
que se esconde por trás do silêncio
é triste ser-se pobre em espírito
para não se assumir os seus actos
e não ter coragem
de assumir os erros
que podem mudar
a vida dos que nos amam
é triste
o vazio
que nos consome
sem razão aparente
mas com explicação
escondida e dissimulada

Cobarde é o fraco
que não é capaz de dar
a cara e se esconde
em falsos sorrisos
falsas palavras
enquanto que a verdade
mais pura e crua
o queima como ácido corrosivo
que um dia
lhe sairá pelos
olhos de tanto despreso
e amargura...

terça-feira, 29 de junho de 2010

Corre Destino...



Num dia
em que os raios de sol
lhe entravam pela janela
decidiu caminhar pela vida
percorreu a margem
de um lago que sempre
lhe fora comum
mas do qual
se afastara por uns meses
porque trazia a água salgada
nos seus olhos
a cada anoitecer
ao seu ninho de pesadelos

Entre passos
observava as decorações
espalhadas pela margem
mas uma delas
despertou-lhe mais atenção
a água corria numa roda viva
movida pela sua própria força

"Corre água porque do lago vens e para o lago voltarás"

Por muitas voltas que o destino
a faça dar
ao contrário do que pensava
o destino é como a água
e segue sempre
o seu rumo natural
hoje está fora do seu "mar"
mas com a sua própria força
para ele voltará
para ser
verdadeiramente "ela"


"O meu verdadeiro "eu" está em nunca desistir"

domingo, 27 de junho de 2010

Onde há verde...


Onde há verde, existe esperança...
Sempre a última a morrer...

O veneno...



Como fui ridícula
em acreditar que me amavas
como fui ridicula em sofrer
por um amor
que era apenas meu
Como sou ridicula em esperar
que o ser "doce" que eu sempre amei volte
e apague esse ego egocêntrico e egoista
que me mata e queima com o silêncio
Fomos um só tantas vezes
não entendo,
nunca vou entender
Podes destilar
todo o veveno do mundo
sobre mim...
Mas nem isso
me fará deixar de te amar
porque tu não controlas
os meus sentimentos,
nem tão pouco os teus...
vives na mais pura ilusão...

terça-feira, 22 de junho de 2010