terça-feira, 6 de julho de 2010

Fogueira de orgulho e desprezo


Ao cair da noite
a escuridão invadiu-lhe a alma
o sangue que percorria o seu corpo
fervilhava numa taquicardia interminável

As lágrimas que tinham secado por uns dias
voltaram a escorrer pelos seus olhos
como se de uma fonte maldita se tratasse

Imagens, palavras,
desfilavam pela sua mente
a velocidade da luz
mas por muito
que que as tentasse parar
foi impossível
não passavam de recordações
que em noites de amargura
lhe atormentavam o corpo
com sensações de que o ar
que tinha a sua volta
não era suficiente para respirar
que o coração estava (está) tão esmagado
que não voltará ao seu molde inicial

Dor, amargura, tristeza
nessa noite a vida resumia-se a isso
apanhar pedaços de uma vida
estilhaçada por uma única e só pessoa
mas até que ponto
ela iria aguentar?

Ontem o mundo parecia acabar
mas hoje continua viva
mas oca por dentro
como um livro em que arrancaram
todas as folhas
uma a uma
lentamente
e as queimaram
numa fogueira de orgulho e desprezo
em que nem as cinzas
de um amor ficaram

segunda-feira, 5 de julho de 2010

Perto do dia do fim


Observo dentro de mim a mágoa contida,
A revolta do engano,
A tristeza de ser usada e magoada,
Não existe mal que o tempo não cure,
Mas a mágoa entranhada no coração,
Nem o tempo a leva,
Sofri por amar, para me libertar,
Perdida fiquei no meu próprio tormento,
Na escuridão me senti,
Mas dentro de mim,
Por muito que a dor me cegasse,
Voltei a me encontrar,
Perdi-me por amar as coisas e as pessoas,
Agora descobri como as continuar a amar,
Mas de uma outra forma,
Viver sem amar é como um mar sem água,
Fracos não são os que amam,
Mas sim os que não sabem receber esse amor,
E viver é para os corajosos,
E eu voltei a aceitar o desafio,
Voltar a amar, amar-te a ti...
E enganei-me...
Mais uma vez...

in http://viverdeamorci.blogspot.com/

domingo, 4 de julho de 2010

O tempo...


Foi tão simples te amar
adormecer com o teu cheiro,
o teu calor
acordar a sorrir
acreditava que era ao teu lado que iria estar ...

Em ti nasceu
um amor único de uma vida
o tempo passou depressa demais

nos teus braços
e ficou lento quando voltei
para este meu canto
de sonhos perdidos

Ontem mais que hoje deixei
o meu coração colado ao teu
porque não se separava nunca de ti
o tempo passou
e o nosso amor morreu na primavera
com os nossos sorrisos

Deixei-te gravado
no olhar e no ouvido
que te amava com todos

os meus sentidos


Ainda o ouves?
Ou finges não ouvir?



Viver no passado ou no presente?ou no futuro?

quarta-feira, 30 de junho de 2010

Triste cobardia



É triste a cobardia
que se esconde por trás do silêncio
é triste ser-se pobre em espírito
para não se assumir os seus actos
e não ter coragem
de assumir os erros
que podem mudar
a vida dos que nos amam
é triste
o vazio
que nos consome
sem razão aparente
mas com explicação
escondida e dissimulada

Cobarde é o fraco
que não é capaz de dar
a cara e se esconde
em falsos sorrisos
falsas palavras
enquanto que a verdade
mais pura e crua
o queima como ácido corrosivo
que um dia
lhe sairá pelos
olhos de tanto despreso
e amargura...

terça-feira, 29 de junho de 2010

Corre Destino...



Num dia
em que os raios de sol
lhe entravam pela janela
decidiu caminhar pela vida
percorreu a margem
de um lago que sempre
lhe fora comum
mas do qual
se afastara por uns meses
porque trazia a água salgada
nos seus olhos
a cada anoitecer
ao seu ninho de pesadelos

Entre passos
observava as decorações
espalhadas pela margem
mas uma delas
despertou-lhe mais atenção
a água corria numa roda viva
movida pela sua própria força

"Corre água porque do lago vens e para o lago voltarás"

Por muitas voltas que o destino
a faça dar
ao contrário do que pensava
o destino é como a água
e segue sempre
o seu rumo natural
hoje está fora do seu "mar"
mas com a sua própria força
para ele voltará
para ser
verdadeiramente "ela"


"O meu verdadeiro "eu" está em nunca desistir"

domingo, 27 de junho de 2010

Onde há verde...


Onde há verde, existe esperança...
Sempre a última a morrer...

O veneno...



Como fui ridícula
em acreditar que me amavas
como fui ridicula em sofrer
por um amor
que era apenas meu
Como sou ridicula em esperar
que o ser "doce" que eu sempre amei volte
e apague esse ego egocêntrico e egoista
que me mata e queima com o silêncio
Fomos um só tantas vezes
não entendo,
nunca vou entender
Podes destilar
todo o veveno do mundo
sobre mim...
Mas nem isso
me fará deixar de te amar
porque tu não controlas
os meus sentimentos,
nem tão pouco os teus...
vives na mais pura ilusão...

terça-feira, 22 de junho de 2010

domingo, 20 de junho de 2010

Prisioneira


Era prisioneira dos sonhos
envoltos nos seus cabelos
jamais os perderia,
porque fazem parte das linhas
do seu destino
prisioneira do amor,
apenas que um único
um verdadeiro amor
as palavras voam ao vento
mas o sentimentos
ficam gravados para sempre...

terça-feira, 15 de junho de 2010

No que me tornei...


Os pensamentos
não se apagam no tempo
mas o seu sentido
já não traz a mesma certeza
dou por mim perdida
magoada
ferida
assustada
Mudei?
talvez sim
mas quem não muda?
já não me identifico com aquilo que era
mas da mesma forma não me identifico
com aquilo que me tornei
sentia magia no que escrevia
agora tudo se apagou
a vontade já não é a mesma
a força não é a mesma
no que me tornei?
não sei
talvez um dia tenha a resposta
por agora a vida consome-me
como álcool
que arde até a última gota

http://viverdeamorci.blogspot.com/

segunda-feira, 14 de junho de 2010

Afogada


As lágrimas caiam pela sua face
com a força da tempestade
que inundava a noite

entre a pele
e os ossos das clavículas
no seu corpo seco
e magro de amargura
existiam uns lagos salgados
que lhe afogavam a alma

os olhos já não brilhavam
estavam negros e vidrados
com o peso de noites e noites
de pesadelos reais

a dor das mil e umas noites
estava em todos os segundos
e sentia-a como milhares
de facadas pelo corpo todo

feridas abertas que jamais
se iriam fechar
apenas na eternidade
da morte perpétua

fechou a boca
ao mais básico alimento
a doença era mais forte
que a vida

e sem a vida apenas
desejava a morte

domingo, 13 de junho de 2010

Grito de silêncio


Até hoje
talvez nunca tivesse
imaginado que a dor poderia
a esmagar a cada dia
lhe roubar as forças
apagar o seu corpo
sem sonhos
sem vida
apenas DOR
desespero
queimou os sorrisos
em folhas de papel
com o fogo de um amor
que a MATA
até quando?
porquê?
seria ela um ser detestável
para lhe arrancarem o coração
e viver do vazio
do silêncio
da fome do corpo
da sombra da alma
gritou a agonia entranhada na garganta
nenhum som saiu
perdera a voz
a razão
apenas no abismo
teve a sua morada
onde lentamente
se deixou morrer
morrer de DOR
num INFERNO sem fim

De predadora a presa...


Abrindo o livro da vida
virando página a página
encontrou lembranças
de tempos em que a mágoa
não era temida
predadora em noites quentes
em que o futuro
pouco importava
muito menos
o destino das suas presas
afiava as garras
em noites de lua cheia
vivia na sombra da noite
sem existência própria
passaram-se noites e noites
em que se soltava a fera
devoradora de sonhos
até que o vazio
que caminhava
entranhado na sua pele seca
a fez mudar de rumo
passaram-se dias, anos
em que as horas e os segundos
se somaram
em músicas de notas ocas
até que os papeis se inverteram
e de predadora passou a presa
mastigada e cuspida
como carne crua sem gosto
e até hoje
as lágrimas de sangue
escorrem-lhe pelo rosto

Destino?
Escolha?
O mistério fica no silêncio do oculto...