quarta-feira, 16 de junho de 2010
terça-feira, 15 de junho de 2010
No que me tornei...

Os pensamentos
não se apagam no tempo
mas o seu sentido
já não traz a mesma certeza
dou por mim perdida
magoada
ferida
assustada
Mudei?
talvez sim
mas quem não muda?
já não me identifico com aquilo que era
mas da mesma forma não me identifico
com aquilo que me tornei
sentia magia no que escrevia
agora tudo se apagou
a vontade já não é a mesma
a força não é a mesma
no que me tornei?
não sei
talvez um dia tenha a resposta
por agora a vida consome-me
como álcool
que arde até a última gota
http://viverdeamorci.blogspot.com/
segunda-feira, 14 de junho de 2010
Afogada
As lágrimas caiam pela sua face
com a força da tempestade
que inundava a noite
entre a pele
e os ossos das clavículas
no seu corpo seco
e magro de amargura
existiam uns lagos salgados
que lhe afogavam a alma
os olhos já não brilhavam
estavam negros e vidrados
com o peso de noites e noites
de pesadelos reais
a dor das mil e umas noites
estava em todos os segundos
e sentia-a como milhares
de facadas pelo corpo todo
feridas abertas que jamais
se iriam fechar
apenas na eternidade
da morte perpétua
fechou a boca
ao mais básico alimento
a doença era mais forte
que a vida
e sem a vida apenas
desejava a morte
domingo, 13 de junho de 2010
Grito de silêncio

Até hoje
talvez nunca tivesse
imaginado que a dor poderia
a esmagar a cada dia
lhe roubar as forças
apagar o seu corpo
sem sonhos
sem vida
apenas DOR
desespero
queimou os sorrisos
em folhas de papel
com o fogo de um amor
que a MATA
até quando?
porquê?
seria ela um ser detestável
para lhe arrancarem o coração
e viver do vazio
do silêncio
da fome do corpo
da sombra da alma
gritou a agonia entranhada na garganta
nenhum som saiu
perdera a voz
a razão
apenas no abismo
teve a sua morada
onde lentamente
se deixou morrer
morrer de DOR
num INFERNO sem fim
De predadora a presa...
Abrindo o livro da vida
virando página a página
encontrou lembranças
de tempos em que a mágoa
não era temida
predadora em noites quentes
em que o futuro
pouco importava
muito menos
o destino das suas presas
afiava as garras
em noites de lua cheia
vivia na sombra da noite
sem existência própria
passaram-se noites e noites
em que se soltava a fera
devoradora de sonhos
até que o vazio
que caminhava
entranhado na sua pele seca
a fez mudar de rumo
passaram-se dias, anos
em que as horas e os segundos
se somaram
em músicas de notas ocas
até que os papeis se inverteram
e de predadora passou a presa
mastigada e cuspida
como carne crua sem gosto
e até hoje
as lágrimas de sangue
escorrem-lhe pelo rosto
Destino?
Escolha?
O mistério fica no silêncio do oculto...
terça-feira, 8 de junho de 2010
Nada sabe...

Nada sabe...
Escreve,
Não, para sonhar,
Não, para sorrir...
Mas apenas para libertar a desilusão,
Que guarda em si...
Não sabe bem o que sente...
Não sabe...
Cada vez que procura uma resposta,
Mais confusa fica...
Não sabe, se é o silêncio que a magoa,
Ou se as palavras,
Que foram secas e lavadas em fúria...
Palavras que não disseram nada,
Mas que a fizeram sentir tudo...
Não sabe...
Hoje neste dia frio e húmido,
Sente a falta de um carinho...
É nestes momentos que vê,
O quanto está só e fágil...
Nada a sua volta...
Nada mais que o nada...
Nada que a faça,
Querer viver o dia de amanhã...
E ver a vida com outros olhos,
Não sabe como olhar para o futuro...
Não sabe o que vai ter,
Para além, desta sensaçao de vazio...
Não sabe,
O que esperar do tempo..
Porque ficar a espera do nada...
Desilude...
domingo, 6 de junho de 2010
Mágoa
Amou e ama com todas as forças
mesmo que o seu coração
esteja carbonizado pela mágoa...
Assim é.
Assim será...
Aegroto dum anima est, spes est.
Alea iacta est.
mesmo que o seu coração
esteja carbonizado pela mágoa...
Assim é.
Assim será...
Aegroto dum anima est, spes est.
Alea iacta est.
quarta-feira, 19 de maio de 2010
Amar com sentido

Será o amor
a capacidade de superar
as diferenças de
as diferenças de
personalidades
barreiras geográficas
barreiras geográficas
os conflitos que fervilham
de más interpretações
será que os sorrisos que se colhem hoje
voltam a memória num amanhã
em que os pensamentos frios
e as respostas secas
surgem num remoinho
impossível de controlar
surgem num remoinho
impossível de controlar
Amar
tudo começa e acaba ai
na capacidade que temos
de sentir as mágoas do outro
na nossa própria carne
escutar sem pedir nada em troca
Amar está longe de se limitar
à troca de carinhos diários
no cruzar de olhares
Amar é um percorrer de trilhos
Amar é um percorrer de trilhos
que levam tempo a passar
porque nem sempre o caminho é certo
e a estrada segura
Amar é simplesmente
aprender a cada dia com os erros
e com as decisões certas
nos momentos certos
e as erradas
nos momentos menos felizes
Amar com sentido
e com todos os sentidos
missão dura
mas não impossível
As duas faces da mesma moeda

O tempo passava lentamente
tempo que lhe permitia
tempo que lhe permitia
passar dias e dias
apenas com a sua consciência
tempo a mais para pensar
na vida, na morte, no amor, na solidão
tempo a mais
com os seus próprios pensamentos
aos poucos
aos poucos
foi abrindo os olhos
ou talvez
ficando mais cega
por vezes a mentira
parecia-lhe verdade
e a verdade pura mentira
a vida passou a ser
um jogo diário
reencarnando as faces
de uma mesma moeda
ora detestável
ora amável
dois seres que dividem
uma mesma pessoa
alimentados ambos da mesma forma
a sua verdadeira luta interior
resume-se a equilibra-los
mas nem sempre o consegue
porque não controla o mundo
e muito menos os pensamentos
que tanto lhe fazem amar
como odiar ao mesmo tempo
um dia talvez tenha a resposta
às suas perguntas
mas hoje fica na dúvida
mas hoje fica na dúvida
sábado, 15 de maio de 2010
As barreiras do infinito
Acordou de manhã
com a sensação de que a noite
teria sido demasiado curta
dor no corpo
dor na alma
simplesmente dor fria a crua
entranhada em cada articulação
em cada célula epidérmica
sentiu-se entre duas barreiras
que a imobilizaram
apenas lhe permitindo respirar
e nada mais
Seria esta a verdadeira razão de viver?
sem sorrisos?
sem olhares?
sem carinhos?
Acordar de madrugada
com o vazio das paredes
e as vozes da radio
que lhe lembravam
que o dia começava assim
pensava que amanhã seria diferente
mas não passaram
de um correr de dias
em que as barreiras do infinito
pouco lhe ofereceram
e tudo lhe tiraram
domingo, 2 de maio de 2010
Cega pelas incertezas
Viver entre dois mundos
entre a espada e a parede
e escolher a espada para viver
quando essa lámina
passa horas
a me ferir,
a me quebrar
pudesse o mundo ser diferente
as suas leis diferentes
para eu não ter que escolher
viver entre dois mundos
no qual apenas um
é o meu lugar
este outro
sufoca-me em lágrimas
queima-me em amarguras
O sol está ai contigo
vai sempre estar
sei que ai é o meu lugar
mas o tempo tarda a passar
O tempo perturba os ponteiros
do meu relógio
e os faz rodarem
no sentido inverso
do "nosso" tempo
do teu tempo
até quando?
não o sei, ninguém o sabe...
sábado, 1 de maio de 2010
Olhos de vidro
Passam-se os dias,as horas
Anoitece mais tarde aos olhos,
De qualquer ser iluminado pelo sol
Mas não para mim,
Os meus olhos vidraram-se
De tanto se abrirem e fecharem
Sem nada verem a não ser
Nuvens de sombras
Que testam os meus limites
Que testam os meus limites
As minhas palavras
De verdadeiras
Passaram a falsas
Falsas juras de amor
Como se todo o sangue
Passaram a falsas
Falsas juras de amor
Como se todo o sangue
Que me percorre as artérias
Não me fizesse
Não me fizesse
Bater o coração por ti
Como se eu não respirasse
Como se eu não respirasse
De cada jura de amor
Selada de sangue
Do meu sangue
Abriu-se uma ferida
Selada de sangue
Do meu sangue
Abriu-se uma ferida
No corpo
Na alma
Desapareço
A medida que esse fluido
A medida que esse fluido
Escorre pelos meus olhos de vidro
Cegos de te amar
Cegos de te amar
E me pinta a pele
De vermelho morto
Perdi as forças
Tiraste-me a vida
Eras a sombra do que nunca fui
Hoje és a luz da vela
Que ilumina a sombra que sou
Hoje és a luz da vela
Que ilumina a sombra que sou
quinta-feira, 22 de abril de 2010
lágrimas ácidas
sexta-feira, 16 de abril de 2010
Vida (Fria e crua)
A vida resume-se a isto
seguirmos em frente
seguirmos em frente
sem nada se ter nas mãos
nada é nosso
para quê se iludir
se tudo se resume ao mesmo?
sonhar é inútil
porque os sonhos são inúteis
assim como a vida nos torna em inúteis
vivemos a sombra de outros
até ao nosso último suspiro
para quê ficar a espera de se receber amor?
se a vida não nos deixa
adaptarmos a ele
para quê vestir o mundo de cores
se apenas existem duas
o preto e o branco
a vida sabe a algo cru
sem condimentos
não sabe a nada
apenas continuamos a ingeri-la
a espera que o frio que percorre
o nosso esófago
nos faça vomitar as palavras
que temos engolido
nas noites
em que a solidão existe
segunda-feira, 29 de março de 2010
Sonhar de olhos abertos
A arte de sonhar
de olhos abertos fora-lhe
sempre comum
Já em pequena flor que desabrochava
na inocência da infância
a vida lhe parecia
uma árvore cheia de cores
foi crescendo criando raízes
por onde passou
colheu sementes de amor e desamores
semeou outras tantas
nos vastos campos do mundo
Navegou por ondas
que sonhara em criança
Imaginado um mundo perfeito
na palma da sua mão
o seu mundo
Sorria porque era feliz
a sua inocência
permitia-lhe pensar
que a brincar
se iria construir o seu mundo
e o dos que a rodeavam
Hoje a inocência persiste e resiste
ou não seria a mesma mulher-menina
fiel aos mesmos sonhos de sempre
poderia perder tudo
o que foi colhendo ao longo dos tempos
mas a capacidade de sonhar de olhos abertos
essa é só dela
porque por muito que amemos
ninguém é capaz de ver o mundo
com os nossos olhos
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